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Política Lei Ficha Limpa

Lei da Ficha Limpa: Senado aprova mudança que pode viabilizar candidatura de Ivo Cassol ao governo de Rondônia

Proposta aprovada no Senado reduz prazo de inelegibilidade e aguarda sanção presidencial

03/09/2025 às 11h02
Por: Vanessa Frank
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Lei da Ficha Limpa: Senado aprova mudança que pode viabilizar candidatura de Ivo Cassol ao governo de Rondônia

O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (2), por 50 votos a favor e 24 contra, o projeto de lei que altera pontos da Lei da Ficha Limpa e pode abrir caminho para o retorno de políticos cassados às disputas eleitorais. A principal mudança aprovada modifica o início da contagem do prazo de inelegibilidade — atualmente de oito anos — para que ele passe a valer a partir da data da cassação do político, e não mais ao término do mandato.

A proposta, que agora segue para sanção presidencial, tem impacto direto no cenário político de Rondônia. Um dos principais beneficiados pode ser o ex-senador e ex-governador Ivo Cassol (PP), que se tornaria apto a disputar o governo estadual nas eleições de 2026.

O que muda com a nova regra

Pela legislação atual, mesmo após cumprir pena, o político condenado pode permanecer inelegível por até três anos adicionais, devido à contagem vinculada ao fim do mandato. Com a alteração aprovada, o prazo passa a ser contado a partir da decisão de cassação, o que reduz o tempo de afastamento em casos semelhantes.

Na prática, essa mudança restabelece a possibilidade de retorno de diversas lideranças políticas que haviam sido impedidas de concorrer, entre elas Ivo Cassol.

Congresso debate projetos que alteram Lei da Ficha Limpa. Em alguns casos, pode tornar a punição mais branda

O caso de Ivo Cassol

Ivo Narciso Cassol, empresário, pecuarista e figura política de destaque em Rondônia, foi prefeito de Rolim de Moura, governador do Estado e senador da República (2011–2019).

Em 2013, Cassol foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por fraude em licitação durante sua gestão como prefeito. Após cumprir a pena, uma liminar chegou a suspender sua inelegibilidade, mas a situação jurídica ainda era incerta.

Cassol já havia demonstrado interesse em concorrer ao governo estadual em 2022, lançando pré-candidatura, mas acabou barrado pela Justiça Eleitoral em razão da Ficha Limpa. Agora, com a mudança na lei, ele pode oficialmente se tornar elegível para disputar as eleições de 2026.

Reação política e debate jurídico

O relator da proposta defendeu que a alteração não enfraquece a Lei da Ficha Limpa, mas corrige distorções ao impedir que o prazo de inelegibilidade ultrapasse os oito anos originalmente previstos. Segundo ele, a medida traz “racionalidade temporal” ao processo e evita que punições se estendam de forma desproporcional.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a decisão busca respeitar o espírito da lei, preservando o combate à corrupção, mas garantindo limites claros à inelegibilidade.

Apesar disso, juristas e setores da sociedade civil manifestaram preocupação com o impacto da medida, apontando que ela pode ser vista como uma flexibilização que beneficia políticos com histórico de condenações.

Impactos em Rondônia e no cenário nacional

Em Rondônia, a aprovação reacende o debate sobre a força política de Cassol, que ainda mantém base eleitoral sólida no interior do estado. Sua possível candidatura em 2026 pode redesenhar o tabuleiro eleitoral local, gerando realinhamentos entre partidos e lideranças regionais.

Em nível nacional, a mudança deve beneficiar outros políticos em situação semelhante, o que poderá alterar a composição de futuras disputas eleitorais.

Próximos passos

Agora, o projeto segue para sanção do presidente da República, que terá a decisão final sobre a validade da nova regra. Caso sancionada, a alteração passa a valer imediatamente e poderá ser aplicada já nas eleições municipais de 2024 e, sobretudo, na corrida eleitoral de 2026.

A expectativa é de que advogados e assessores eleitorais analisem com atenção os efeitos práticos da medida, especialmente em casos emblemáticos como o de Ivo Cassol.

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