
Ji-Paraná é pura mistura de histórias, rios e gente que veio de longe. Hoje, a cidade é a segunda mais populosa de Rondônia, com mais de 130 mil habitantes vindos de todos os cantos do Brasil.
Mas nem sempre foi assim. Para entender como o nosso Coração de Rondônia chegou até aqui, vale voltar no tempo e conhecer os capítulos que fizeram a cidade ser o que é.
Até o final do século XIX, a região onde hoje fica Ji-Paraná era ocupada pelas etnias indígenas dos urupás e dos jarus. Eles foram os primeiros a chamar essas terras de lar, muito antes da chegada de qualquer forasteiro.
A grande seca que atingiu o Nordeste entre 1877 e 1880 provocou uma corrente migratória enorme em direção à região. Os rios viraram estradas, e o Rio Machado foi o principal caminho de quem buscava uma vida nova por aqui.
Não foi fácil: os nordestinos enfrentaram a densa Floresta Amazônica e cachoeiras que dificultavam a jornada. Mesmo assim, fundaram a primeira povoação na confluência do Rio Urupá, batizando o lugar de Urupá. A vida girava em torno da extração do látex das seringueiras.
Em 1909, o desbravador Cândido Mariano da Silva Rondon teve um papel decisivo na região. Ele construiu a primeira estação telegráfica ligando Cuiabá a Porto Velho, batizada de Presidente Pena, em homenagem ao então presidente Afonso Augusto Moreira Pena.
Na mesma época, a ferrovia Madeira-Mamoré estava sendo construída. Junto com o telégrafo, ela ajudou a acabar com o isolamento da região e a conectar a área com o restante do país.
Foi ao redor da casa do Marechal Rondon que o povoado foi crescendo. Esse foi o embrião do que hoje é o centro de Ji-Paraná.
Com a queda do preço da borracha no início do século XX, a região entrou em decadência. Mas logo veio uma nova virada: a descoberta de diamantes reaqueceu a economia e trouxe gente para cá de novo.
Em 1945, o lugar recebeu o nome de Rondônia e virou distrito de Porto Velho. A partir de 1960, a construção da BR-29, atual BR-364, abriu caminho para uma nova leva de moradores, principalmente migrantes da Região Sul, que deixavam suas terras por causa da mecanização da lavoura.
Em 11 de outubro de 1977, veio o grande marco: a Lei nº 6.448 concedeu a emancipação política à Vila de Rondônia, transformando o lugar no município de Ji-Paraná. A instalação aconteceu no mesmo ano, em 22 de novembro.
Até 29 de fevereiro de 1980, Ji-Paraná ainda pertencia à Comarca de Porto Velho. A instalação definitiva do município veio por meio da Lei nº 6.750, de 10 de dezembro de 1979. Antes de virar Ji-Paraná, a cidade já tinha sido chamada de Vila Urupá, Presidente Penna e Vila de Rondônia.
Em 1981, os distritos de Presidente Médici e Ouro Preto se separaram e viraram municípios independentes. Com o apoio dos 8 pais fundadores, foi criado, após a emancipação, o Conselho de Cidadania de Ji-Paraná, hoje a maior empresa do estado em ações sociais.
Hoje, Ji-Paraná reúne descendentes de antigos seringueiros, garimpeiros e indígenas, além de gente chegada de todos os estados brasileiros. É essa mistura que dá o tempero do nosso jeito de ser.
Olhar para essa trajetória é entender por que a cidade é chamada de Coração de Rondônia. Cada ciclo deixou sua marca, e cada nova geração continua escrevendo esse capítulo.
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